MCP: muito além de um protocolo de ferramentas para IA
Introdução: O que é o MCP?
Muitas pessoas ainda veem o MCP (Model Context Protocol) apenas como uma forma de conectar ferramentas a agentes de IA. Mas o MCP vai muito além disso: ele é uma nova camada de design de solução, que permite transformar conhecimento em infraestrutura reutilizável.
Criar uma ferramenta para um agente nĂŁo Ă© apenas escrever uma função. É projetar uma interface de entendimento entre humanos e máquinas — pensar cuidadosamente em como a entrada e a saĂda serĂŁo estruturadas para que o agente compreenda o contexto da melhor forma possĂvel. Essa sensibilidade no design Ă© o que gera resultados mais assertivos.
No MCP, um endpoint de ferramenta (tools/) define as capacidades disponĂveis para o agente. Ele expõe mĂ©todos que permitem identificar e executar funções, APIs ou atĂ© mesmo outros agentes, que processam solicitações de acordo com um propĂłsito especĂfico.
Mas o verdadeiro poder do MCP vai além disso.
MCP como Camada de Orquestração de Conhecimento
Em uma arquitetura moderna, o MCP pode atuar como a camada de orquestração de conhecimento entre o backend de dados e os agentes de IA. Ele organiza o que o agente sabe, como ele acessa esse conhecimento e quais ações pode executar.
Além dos endpoints de ferramentas, o MCP traz endpoints de recursos (resources/) e de prompts (prompts/), que são as principais fundações de valor dos MCP servers.
Esses endpoints abrem uma nova forma de compartilhar conhecimento de domĂnio de forma estruturada e escalável. Imagine uma empresa que possui um profundo domĂnio tĂ©cnico sobre um tema especĂfico. Ao publicar um MCP server, outras plataformas podem consumir esse conhecimento sem precisar reconstruĂ-lo do zero — eliminando o chamado heavy lift de modelagem de conhecimento.
O endpoint de prompts permite que uma empresa crie e mantenha seus próprios prompts otimizados para seus casos de uso e ferramentas. Isso evita que cada cliente precise construir prompts do zero, além de facilitar a manutenção e a reutilização em larga escala.
Por fim, o endpoint de recursos amplia o contexto dos agentes com documentos, bases de dados e informações especĂficas — tornando o agente realmente consciente do domĂnio em que atua.
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Imagine, por exemplo, uma fintech que publica um MCP server com seu domĂnio de crĂ©dito. Outras aplicações podem usar esse servidor para avaliar riscos, gerar relatĂłrios ou interagir com dados financeiros de forma segura e contextualizada — sem expor dados brutos.
Aprendizados e Insights de Design
O grande aprendizado aqui é que o design de soluções para IA não é sobre “fazer ferramentas”, mas sobre estruturar conhecimento e intenção. O MCP é um ótimo exemplo de como essa mentalidade se traduz em arquitetura.
Em resumo, o MCP Ă© muito mais do que uma forma de integrar agentes e ferramentas: Ă© um framework de design de conhecimento, capaz de transformar domĂnios organizacionais em infraestrutura de inteligĂŞncia reutilizável.
Essa é a base de um novo paradigma de design de soluções em IA — em que o conhecimento deixa de ser um artefato e passa a ser uma arquitetura.
Nos prĂłximos posts, vou explorar como desenhar um MCP server eficiente e como o design de prompts e recursos influencia diretamente a performance de agentes corporativos.
ReferĂŞncias:
Understanding MCP servers - Model Context Protocol
MCP: Build Rich-Context AI Apps with Anthropic - DeepLearning.AI